MINHA MAIOR BENÇÃO e MINHA MALDIÇÃO SILENCIOSA
Por Ana Claudia Avena
Minha maior benção é o amor que resiste. A capacidade de enxergar beleza mesmo no caos, de amar quando a vida parecia me negar isso. É o colo que ofereço, mesmo sem nunca ter tido um que fosse só meu. É o riso depois do choro, a mão estendida quando ninguém me ensinou a pedir ajuda. Essa força não veio do acaso - ela nasceu do abandono. Cresceu comigo enquanto eu ia de casa em casa, de história em história, costurando minha identidade com pedaços de afeto que consegui recolher.
Minha maldição, silenciosa, é o sentimento de não pertencimento. De ser sempre visita, nunca raiz. De carregar a dúvida se serei suficiente, se mereço o amor inteiro, se algum dia poderei simplesmente ficar, sem ter que provar nada.
Essa voz interna, moldada desde cedo, por vezes me fez exigir demais de mim mesma. Me fez calar dores para não ser um peso. Me fez buscar acolhimento em lugares que só me feriram mais.
Mas hoje, olho para tudo isso e entendo: Foi exatamente essa dor que me ensinou a cuidar.
Foi essa solidão que me preparou para abraçar outras mulheres em seus próprios abismos.
Foi essa maldição que, quando reconhecida, me transformou.
Sim, eu continuo em reconstrução. Mas hoje, faço das minhas cicatrizes pontes. E do meu passado, uma missão:
Mostrar a outras mulheres que elas também podem transformar sua dor em força, e sua história em luz.
Você não está só, busque ajuda ! Você merece, mulheres como eu 💗



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