Nem todo cuidado vem do amor: o lado silencioso de quem cuida Eu sumi por alguns dias. E, dessa vez, não foi por falta de tempo… foi por excesso de tudo. Foram quatro dias intensos, dentro de hospital, cuidando da minha mãe. Uma diarreia que parecia simples… mas que virou uma rotina exaustiva de idas e vindas, noites mal dormidas, troca de fraldas de hora em hora, preocupação constante e um cansaço que não era só físico. Era emocional. No primeiro dia, ainda em casa, eu precisei sair para trabalhar. Quando voltei à noite, tivemos que ir para o hospital. Ela foi medicada e voltamos para casa de madrugada. No dia seguinte, a situação continuava, e voltamos novamente. Passei horas ali, observando, insistindo para que ela ficasse mais tempo, tentando garantir que ela fosse realmente cuidada. Foi quando ouvi algo que me atravessou de um jeito que eu não esperava: “Ela não está doente.” Naquele momento, tudo ficou confuso dentro de mim. Como assim não está doente, se eu estava vendo, limpando, cuidando, me desgastando? Como assim não está doente, se eu estava exausta? Mas, ao mesmo tempo, eu comecei a observar mais ao meu redor. Outras mulheres estavam ali. Com suas mães, seus pais, seus filhos. Cada uma carregando um cansaço silencioso, uma preocupação constante, uma responsabilidade que não dá pausa. Eu vi uma senhora, na mesma idade da minha mãe, em uma situação ainda mais delicada — mais magra, mais fraca — e mesmo assim não foi internada. Foi ali que a médica me disse algo que também me marcou: Se eu insistisse em deixá-la internada sem necessidade, isso poderia ser considerado negligência. Porque o hospital, naquele caso, poderia fazer mais mal do que bem. E, de alguma forma, aquilo me fez enxergar uma outra camada da situação. A verdade é que nem todo cuidado vem do amor leve. E quase ninguém fala sobre isso. Eu amo minha mãe. Mas a nossa história nunca foi simples. Eu fui uma filha que, lá atrás, também se sentiu abandonada. E hoje sou a mulher que cuida. E esse lugar… é confuso. Porque não é só amor. É responsabilidade. É história. É memória. É dor. E, muitas vezes, é escolha. Escolher cuidar mesmo cansada. Escolher permanecer mesmo emocionalmente desgastada. Escolher fazer o que precisa ser feito, mesmo quando não existe leveza. E isso pesa. Pesa quando você está no hospital tentando garantir o melhor. Pesa quando você precisa brigar para que cuidem minimamente de quem está com você. Pesa quando você volta para casa achando que vai ter um pouco de paz… e a primeira coisa que recebe é uma reclamação. Pesa… porque ninguém te ensina a lidar com isso. A sociedade ensina que cuidar dos pais é um ato de amor. E é. Mas não fala sobre o outro lado. O lado da exaustão. Da culpa por se sentir cansada. Da confusão emocional. Do peso de relações que nem sempre foram saudáveis… mas que continuam existindo. Existe uma romantização do cuidado que não corresponde à realidade de muitas mulheres. E talvez esteja na hora de começar a falar sobre isso com mais verdade. Porque você pode amar… e ainda assim estar cansada. Você pode cuidar… e ainda assim estar ferida. Você pode estar presente… e ainda assim, por dentro, estar tentando se recompor. Isso não te faz uma pessoa ruim. Isso te faz humana. Eu não estou escrevendo isso como vítima. Estou escrevendo como uma mulher real… que está aprendendo. Aprendendo que cuidar não pode significar se abandonar. Aprendendo que limites não são falta de amor. Aprendendo que, se eu não me olhar… eu não sustento nada. Talvez o maior desafio não seja apenas cuidar melhor de quem está ao nosso lado. Talvez seja aprender a não desaparecer dentro desse cuidado. Porque quem cuida… também sente. Também cansa. Também precisa de espaço, de respiro, de acolhimento. E talvez, a partir de hoje, a gente possa começar a falar mais sobre isso. Sem culpa. Sem julgamento. Com verdade. Se você está vivendo algo parecido… saiba que você não está sozinha. E que existe força… não em aguentar tudo, mas em reconhecer até onde você pode ir sem se perder de si mesma. Mentoria de Desenvolvinto pessoal e emocional:(24)99827-1814

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